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📜 Clube de Revista: Consensus on identifying and ranking ventilator asynchronies in invasively ventilated ICU patients: a modified Delphi study (SYNAPsE)

Por: BETINA SANTOS TOMAZ, FISIOTERAPEUTA - 04/05/2026 15:46

📊 Consenso internacional sobre assincronias paciente–ventilador: o que muda na prática?

A identificação e o manejo das assincronias paciente–ventilador (PVA) continuam sendo um dos maiores desafios à beira do leito na ventilação mecânica invasiva. Apesar de décadas de pesquisa, ainda existiam lacunas importantes: quais assincronias realmente importam? Quais conseguimos detectar na prática? E quais devem ser priorizadas?

Um estudo recente publicado no Intensive Care Medicine trouxe um avanço importante ao propor um consenso internacional baseado em método Delphi (SYNAPsE), reunindo especialistas para organizar essas respostas de forma estruturada.

Fonte: Molenaar MA, Nasa P, Damiani LF, Ferreira JC, et al. Intensive Care Med. 2026 Mar;52(3):423-433.

🧠 O que são consideradas assincronias relevantes?

O consenso definiu 7 tipos principais de assincronias clinicamente relevantes:

  • Trigger ineficaz
  • Reverse triggering
  • Double triggering
  • Auto-triggering
  • Fluxo inspiratório insuficiente
  • Ciclagem precoce
  • Ciclagem tardia

👉 Um ponto importante: nem tudo que vemos na curva é necessariamente uma “assincronia”. Por exemplo, excesso de fluxo não foi considerado uma PVA, mas sim um ajuste ventilatório que pode levar a assincronias.

👀 O que conseguimos identificar só pelas curvas do ventilador?

Na prática clínica, raramente temos pressão esofágica disponível. Por isso, o consenso focou no que é viável à beira do leito.

✔️ Detectáveis com boa confiabilidade:

  • Double triggering
  • Trigger ineficaz
  • Reverse triggering
  • Fluxo insuficiente
  • Ciclagem precoce

Mais difíceis de identificar apenas pelas curvas:

  • Auto-triggering
  • Ciclagem tardia

👉 Isso reforça algo que vivemos na prática: interpretar curvas não é trivial - exige treinamento e atenção contínua.

⚠️ Quais assincronias mais impactam desfechos?

De forma consistente entre os especialistas:

🔴 Mais relevantes clinicamente:

  • Double triggering
  • Trigger ineficaz

Essas foram associadas a:

  • Maior tempo de ventilação
  • Maior mortalidade (especialmente em ARDS)

💡 Fisiopatologicamente, isso faz sentido:

  • Double triggering → empilhamento de volume → risco de VILI
  • Trigger ineficaz → esforço desperdiçado → aumento do trabalho respiratório e disfunção diafragmática

🫁 E no paciente com SDRA?

O consenso foi ainda mais direto:

📌 Ranking de gravidade (quando não reconhecidas e não tratadas):

  1. Double triggering
  2. Trigger ineficaz
  3. Reverse triggering

👉 Ou seja: nem todas as assincronias têm o mesmo peso clínico — e isso muda a nossa prioridade à beira do leito.

🔄 E nos outros cenários clínicos?

Para pacientes sem SDRA ou no pós-operatório cardíaco, não houve consenso em um ranking rígido.

👉 A solução proposta foi mais pragmática:

  • Classificar assincronias em “graves” vs “leves”, de acordo com:
    • impacto em tempo de VM
    • desconforto
    • instabilidade hemodinâmica

🚨 Por que isso é importante?

Mesmo sendo frequentes, as assincronias:

  • São subdiagnosticadas
  • Exigem interpretação contínua das curvas
  • Muitas vezes são apenas “marcadores” de algo maior (drive respiratório elevado, dor, acidose, etc.)

👉 Ou seja: detectar a assincronia é só o primeiro passo.
👉 O desafio real é entender por que ela está acontecendo.

🔮 O futuro: para onde estamos indo?

O estudo também aponta caminhos claros:

  • Desenvolvimento de sistemas automatizados de detecção
  • Integração com inteligência artificial
  • Monitorização contínua em tempo real
  • Estratégias personalizadas de ajuste ventilatório

💬 Take-home message

✔️ Nem todas as assincronias têm o mesmo impacto
✔️ Double triggering e trigger ineficaz devem ser prioridade
✔️ Nem tudo é detectável só pelas curvas
✔️ Contexto clínico é essencial
✔️ Precisamos evoluir na monitorização contínua

Acesse o consenso na íntegra AQUI.



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