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📜 Clube de Revista: Society of Critical Care Medicine Guidelines for the Administration of Neuromuscular Blockade in Adults With Acute Respiratory Distress Syndrome

Por: BETINA SANTOS TOMAZ, FISIOTERAPEUTA - 12/03/2026 12:35

🫁 Novo guideline da SCCM (2026) sobre bloqueio neuromuscular na SARA: o que muda na prática da UTI?

Acabou de ser publicado o novo guideline da Society of Critical Care Medicine (SCCM) sobre o uso de bloqueadores neuromusculares (NMBAs) em pacientes adultos com SARA. O documento atualiza recomendações anteriores e traz reflexões importantes sobre ventilação mecânica, sedação e sincronização paciente-ventilador, temas extremamente relevantes para quem trabalha na UTI.

📌 Quando considerar bloqueio neuromuscular?

O guideline sugere o uso de NMBAs em pacientes com SARA moderada a grave (PaO₂/FiO₂ < 150) que permanecem hipoxêmicos ou não conseguem atingir os objetivos da ventilação mecânica apenas com sedação otimizada. A recomendação é condicional, com baixo nível de evidência.

Um ponto importante destacado é que o bloqueio não deve ser a primeira intervenção. Antes disso, devem ser otimizados:

  • estratégia de ventilação protetora
  • sedação e analgesia
  • ajustes ventilatórios para reduzir assincronias
  • estratégias de oxigenação, como PEEP adequada e posição prona

Somente quando essas medidas falham, o bloqueio neuromuscular pode ser considerado como ferramenta para melhorar a ventilação.


⚙️ Relação direta com ventilação mecânica

O guideline reforça algo que discutimos frequentemente na prática:

👉 Um dos principais objetivos do bloqueio neuromuscular é melhorar a interação paciente-ventilador.

Em pacientes com SARA grave, o esforço inspiratório elevado pode gerar:

  • assincronias importantes
  • oscilações elevadas de pressão transpulmonar
  • risco de lesão pulmonar autoinduzida (P-SILI)

Ao abolir temporariamente o esforço respiratório, o NMBA pode ajudar a:

  • estabilizar a ventilação controlada
  • facilitar a aplicação de ventilação protetora
  • melhorar a oxigenação em alguns casos.

Outro aspecto interessante é que estudos analisados no guideline mostram redução do risco de barotrauma quando NMBAs são utilizados em determinados contextos de SARA grave.


💊 Sedação: ponto crítico antes do bloqueio

O guideline enfatiza fortemente que sedação e analgesia adequadas devem ser garantidas antes da administração de bloqueadores neuromusculares.

Isso ocorre porque, após o bloqueio:

  • o paciente perde a capacidade de expressar dor ou desconforto
  • há risco de consciência durante paralisia, se sedação for inadequada

Na prática clínica, recomenda-se:

  • avaliação da sedação com escalas como RASS
  • monitorização clínica contínua
  • considerar ferramentas adicionais de monitorização quando disponíveis.

Curiosamente, o guideline destaca que não existe evidência robusta que favoreça claramente um método específico de monitorização da sedação (escala clínica vs monitorização instrumental).


⏱️ Duração do bloqueio

Outro ponto relevante:

➡️ quando indicado, o bloqueio neuromuscular não deve ser prolongado rotineiramente por mais de 48 horas.

Isso ocorre devido ao risco de efeitos adversos como:

  • fraqueza adquirida na UTI
  • miopatia
  • complicações associadas à imobilização.

🔄 E na posição prona?

O guideline também analisou a relação entre bloqueio neuromuscular e pronação.

A conclusão foi interessante:

👉 não há evidência suficiente para recomendar a favor ou contra o uso rotineiro de NMBAs em pacientes pronados.

Na prática, a decisão deve considerar:

  • gravidade da hipoxemia
  • grau de assincronia
  • experiência da equipe.

🧠 Reflexão clínica

Esse guideline reforça uma visão cada vez mais clara na terapia intensiva moderna:

➡️ bloqueio neuromuscular não substitui uma ventilação mecânica bem ajustada.

Ele deve ser visto como uma estratégia complementar, usada em situações específicas, principalmente quando:

  • há assincronia grave
  • esforço respiratório elevado
  • dificuldade em manter ventilação protetora.

Na sua prática clínica:

  • Em que situações você costuma considerar bloqueio neuromuscular na SARA?
  • Você utiliza mais para controle de assincronias, hipoxemia grave ou durante pronação?

Vamos discutir os cenários.

Acesse aqui as diretrizes completas.

Boa leitura!



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